A era (e o controle) da informação

 

Que estamos vivendo a era da informação, nenhuma novidade. Inúmeros autores têm abordado o tema, sendo leitura obrigatória a trilogia de Manuel Castells. Engana-se quem pensa que as novas teconologias, as redes online e o imediatismo da troca de informações estejam diretamente ligados ao que tantas vezes denominamos de democratização da informação. A avalanche de informações, em todos os idiomas, impossibilita a apreensão total e dificulta a seleção. Por sua vez, a noção de tempo, os flashs instantâneos e a maneira como passamos a escrever, cada vez mais, precisa ser concisa, objetiva e direta. Os jornalistas certamente são os mais acostumados com esta dinâmica. Aliás, quando conheci o Twitter achei que fosse uma ferramenta para jornalistas e, de fato, o que mais me agrada é poder receber notícias de inúmeros veículos de todo o mundo em fração de segundos.

                            

Entretanto, o que significa esta velocidade na forma de produzir informações para os profissionais que se valem de outro tipo de escrita, nem sempre com a possibilidade de objetivar fatos em tempo recorde? O que muda nas apresentações de relatórios, participações em eventos e congressos etc? Não me refiro às tecnologias, mas à produção de conhecimento. No cenário atual, como produzí-lo? Como apresentá-lo? E talvez principalmente como ler o que nos é apresentado?

Cada vez mais, recebemos resumos ou ‘relatórios’ de trabalho no formato Power Point. Certamente mais rápido para quem prepara e que, evidentemente, deve ter as capacidades de concisão e clareza. Mas, inegavelmente, faz-se escolhas sobre os pontos que serão apresentados, temas abertos ao debate (ou não), conclusões etc. O leitor deverá estar se perguntando: Afinal, com os relatórios volumosos (ou no limite para serem lidos) também não acontecia o mesmo? Possivelmente, mas de fato o que presenciamos no momento, na era da informação, é a necessidade de reaprendermos a escrever, a apresentarmo-nos na esfera pública, a vendermos um projeto, a lermos os resultados de pesquisas etc. O não saber como escrever implica em limites para ler e quem detém o veículo e a forma adequada, inegavelmente controla a informação. Novos tempos, novos ritmos, novos rumos.

Parafraseando o poeta: “Sentir? Sinta quem lê!” (se puder).

 

 

 

 

ISTO

Fernando Pessoa

 

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir?
Sinta quem lê!

 

 

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