O antropólogo Claude Lévi-Strauss, aquele que “detestou a baía de Guanabara...” fez 100 anos

O francês Claude Lévi-Strauss é tido como um dos maiores intelectuais vivos, influenciando inúmeras áreas disciplinares e inspirando debates até hoje. No dia 28 de novembro de 2008, Lévi-Strauss fez 100 anos. Um número pleno, cheio, redondo e impensável para muitos, ainda mais para alguém lúcido e atual, como frisaram os jornais do dia.





Para quem estuda as ciências sociais, Lévi-Strauss é leitura obrigatória. Considerado a referência do estruturalismo francês na antropologia, trouxe contribuições marcantes com sua teoria das estruturas elementares do parentesco, os processos mentais do conhecimento e a estrutura dos mitos. Não há quem tenha passado sem “O feiticeiro e sua magia”: “Não há, pois, razão de duvidar da eficácia de certas práticas mágicas. Mas, vê-se, ao mesmo tempo, que a eficácia da magia implica na crença da magia...”




             







Também é impossível esquecer sua contribuição para o tema da diversidade cultural e a crítica ao etnocentrismo em “Raça e História”, escrito para Unesco nos anos 50.


A TV francesa registrou os 100 anos de Lévi-Strauss com um programa intitulado: Qui est Lévi-Strauss

 


 

 

Lévi-Strauss também não passa despercebido do grande público. Primeiro, entre nós brasileiros, por seu livro “Tristes Trópicos”, que escreveu a partir de sua experiência no Mato Grosso e na Amazônia quando foi professor visitante da Universidade de São Paulo, nos anos 30. E, é claro, por ter sido popularizado pelo “Estrangeiro” de Caetano Veloso.








O Musée du Quai Branly, em Paris, dedicou um dia à Claude Lévi-Strauss e lançou uma publicação em sua homenagem. Aliás, merecidas homenagens não faltaram.

O SONHO DE MARTIN

 

"Chega a hora em que as pessoas se cansam de ser pisoteadas pelo pé de ferro da opressão. Chega a hora, meus amigos, em que as pessoas se cansam de ser lançadas no abismo da humilhação, onde vivenciam a desolação de um pungente desespero. Chega a hora em que as pessoas se cansam de ser alijadas do brilhante e vívido sol de julho e abandonadas ao frio cortante de um novembro alpino." (1955)

 

mulheres

 

“A liberdade nunca é fácil. Vem com a dificuldade e a persistência da vida. (...)

Uma velha ordem de colonialismo, de segregação, de discriminação está desaparecendo e uma nova ordem de justiça, liberdade e boa vontade está nascendo.”(1957)

 

Obama 

 

“Continuem a caminhar em meio aos obstáculos. Continuem a caminhar em meio às montanhas da oposição. Se caminharem com dignidade, quando os livros de história forem escritos no futuro, os historiadores deverão olhar para trás e dizer: “Ali viveu um grande povo. Um povo com ‘negra face e carapinha’ (Sim), mas um povo que injetou um novo significado nas veias da civilização; um povo que se ergueu com dignidade e honra, e salvou a civilização ocidental da escuridão profunda (Sim); um povo que ofereceu uma nova integridade e uma nova dimensão de amor a nossa civilização” (Sim). Quando isso ocorrer, juntas cantarão as estrelas da manhã e os filhos de Deus de júbilo bradarão.” (1957)

 

4 DE NOVEMBRO DE 2008: O POVO AMERICANO ELEGE SEU PRIMEIRO PRESIDENTE NEGRO.

ISTO É HISTÓRIA!!! 

 

Chicago1 

 

“E digo-lhes hoje, meus amigos, mesmo diante das dificuldades de hoje e de amanhã, ainda tenho um sonho, um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e experimentará o verdadeiro significado de sua crença: “Acreditamos que essas verdades são evidentes, que todos os homens são criados iguais” (Sim).

Eu tenho um sonho de que um dia, nas encostas vermelhas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos sentarão ao lado dos filhos dos antigos senhores, à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho de que um dia até mesmo o estado do Mississippi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, sufocado pelo calor da opressão, será um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho de que os meus quatro filhos pequenos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter (Sim, Senhor). Hoje, eu tenho um sonho!

Eu tenho um sonho de que um dia, lá no Alabama, com o seu racismo vicioso, com o seu governador de cujos lábios gotejam as palavras “intervenção” e “anulação”, um dia, bem no meio do Alabama, meninas e meninos negros darão as mãos a meninas e meninos brancos, como irmãs e irmãos. Hoje, eu tenho um sonho.

Eu tenho um sonho de que um dia todo vale será alteado (Sim) e toda colina, abaixada; que o áspero será plano e o torto, direito; “que se revelará a glória do Senhor e, juntas, todas as criaturas a apreciarão” (Sim).

Esta é a nossa esperança, e esta a fé que levarei comigo ao voltar para o Sul (Sim). Com esta fé, poderemos extrair da montanha do desespero uma rocha de esperança (Sim). Com esta fé, poderemos transformar os clamores dissonantes da nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade.” (1963)

 

 

 

P.S.: Um apelo à consciência: os melhores discursos de Martin Luther King. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.

Quase uma fotoetnografia

 

No ano passado estive em Angola fazendo a avaliação de um projeto do Ministério da Educação, para o PNUD-Angola. Por vários motivos, recentemente voltei a rever o relatório e busquei algumas fotos. Duas delas foram parar num blog da pós-graduação do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, num curso que discute Trabalho, Cidadania e Direitos. A descrição da foto me levou à vontade de fazer um exercício de fotoetnografia. Ainda longe disto, a repito aqui.

 

Kuanza Sul - Angola 2007

 

A foto das crianças com as cadeirinhas merece uma explicação. É no pátio de uma escola na província de Kuanza Sul (5h. de carro de Luanda para lá, numa estrada que não tem nada). Primeiro você vê que há dois cômodos feitos em amianto no meio do pátio, um calor infernal... São salas de aula porque a escola é pequena para o número de alunos. As crianças estão no horário do recreio e como não há assento para todas, elas levam de casa suas próprias cadeiras, todos os dias. Na hora do recreio não têm onde deixá-las e na sala alguém pode pegá-las, por isto saem com elas, na cabeça quando estão andando. Na rua é comum ver um adulto levando pela mão uma criança com uma mochila nas costas e a cadeirinha na cabeça.

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